Da Janela, 2009

SINOPSE: Fotógrafa pesquisa a violência contra a mulher. Através da janela de sua casa ou carro, seu “olho câmera” registra tudo. Os planos se cruzam, criando um universo onírico composto de cenas de violência simultâneas a cenas de uma festa, propiciando a reflexão de que ao mesmo tempo em que o espectador assiste ao filme, muitas mulheres anônimas são expostas à violência.

FICHA TÉCNICA:

Título original: Da janela Lançamento: 2009 (Florianópolis — SC – Brasil)

Direção: Giovana Zimermann e Sebastião Braga.

Atores: Elianne Carpes, Giovana Zimermann, Luiz Claudio Leite, Marcos José Santin, Marta Cesar e Noara Quintana. Duração: 15 min. Gênero: Drama.

Roteiro: Giovana Zimermann.

Produção: Sofia Mafalda.

Fotografia: Martin Carvalho.

Direção de arte: Lina Lavoratti.

Edição: Tiago Santos.

Trilha sonora: CURANDERA: Composição e Vocal: Guilherme Zimermann Kummer Arranjo Musical: Frederico Teixeira e Du Gomide.

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Armila, 2013

 

A primeira vez que li As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, fiquei encantada com Armila, a cidade delgada, despertando-me o desejo de construir uma instalação com tubulações, torneiras e vasos sanitários a céu aberto. Assim é  Armila I, 2013. Uma obra de arte hi-tech, feita de tubos que crescem no jardim, como uma grande planta exótica, e que terminam em torneiras, chuveiros, registros; objetos do cotidiano, que apesar de possuírem referência dentro de seu quadro imagético próprio, podem ser apropriados pela arte de modo diferente, permitindo ao  público ‘inventar’ – com arte e astúcia sutil – o seu próprio cotidiano.

A segunda referência,  para a criação de Armila I,  é a obra Fonte criada em 1917 por Marcel Duchamp, foi inspiração para os três bancos, que parecendo “frutas tardias que permanecem penduradas nos galhos” (CALVINO, 1990), mas é também um mobiliário urbano, e, como tal, tem como principal finalidade a criação de um espaço de convivência para a cidade. O layout da calçada é a reprodução de parte da malha urbana, do centro de Florianópolis, levada para Jurerê, bairro da Ilha.

 

A cidade vista do alto, miniaturizada, é um texto urbano, uma imensa texturologia que se tem sob os olhos, como propõe Michel de Certeau, “um simulacro ‘teórico’ (ou seja, visual)” (CERTEAU, 2001:171). A calçada da obra de arte Armila I, foi inspirada na obra Poesia na calçada, 2007, a primeira da série TEXTO URBANO.

Av. dos Búzios, 1136 – Jurerê Internacional, Florianópolis – SC – Brasil

URL: URL Google Earth

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O SOL, 2016

“Tropeçando em palavras como nas calçadas, topando imagens desde há   muito já sonhadas” (BAUDELAIRE, 1985, p. 319)

As poesias de Cruz e Sousa e de Charles Baudelaire foram relacionadas, respectivamente, em duas obras: a primeira intitulada: A metáfora do esgrimista (2011), localizada no Centro de Florianópolis; e a outra O Sol, 2016, Estreito.

O título da primeira, não apareceram na obra, somente embasa o processo criativo, simboliza o ato metafórico, de gravar poesias nas calçadas, anunciado por Baudelaire na poesia O Sol. Com a expressão o poeta desejava falar do duelo em que o artista se envolve, e ao mesmo tempo como artísticos os traços marciais.  A poesia Aspiração, que Cruz e Sousa fez para Julieta dos Santos, foi gravado com jato de areia, na calçada na rua Ferreira Lima, 199, Centro.  E parte dela, fundidos em duas placas de bronze (tampas de bueiros). “Enquanto tu fulgires nas alturas eu errarei nas densas espessuras da  terra sob a rigidez do asfalto”; Em outra extremidade da calçada, um facho de luz rompe o solo, circundado pela continuação da poesia, “… Embalde o teu clarão me enleva e calma”. (Cruz e Sousa)

Na poesia O Sol, Baudelaire fala sobre a dificuldade de alguns artistas entenderem “quanto trabalho se requer para fazer com que de uma fantasia nasça uma obra de arte” (BAUDELAIRE apud BENJAMIN, 1994).

Quando o impiedoso Sol arroja seus punhais

Sobre a cidade o campo, os tetos e os trigais,

Exercerei a sós a minha estranha esgrima

Buscando a cada canto os acasos da rima,

Tropeçando em palavras como nas calçadas,

Topando imagens desde há muito já sonhadas

(BAUDELAIRE, 1985, p. 319)

  

A poesia O Sol de Baudelaire, foi escrita em aço fundido em uma calçada labiríntica, localizada na rua Orlando Odílio Koerich, 210, Estreito. Nela dou prosseguimento na relação entre os poetas simbolistas, através de dois faróis cada um em um ponto da cidade. Foi a relação que encontrei para explicitar a inegável influência da intuição e lógica imaginativa de Baudelaire, na obra do nosso mais célebre poeta simbolista Cruz e Sousa. Além das poesias dos autores serem gravadas nas calçadas, no centro um facho de luz rompe o solo, circundado pelo título da obra O Sol. Além de poesias gravadas nas calçadas, ambas possuem faróis, que simbolizam a conexão entre os dois poetas simbolistas.

Localização: Rua Orlando Odílio Koerich, 210 Estreito – Florianópolis – SC – Brasil.

 

 

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AMBIENTE URBANO

Em 2007, ao ser contratada para realizar um projeto para um edifício, atuei sob uma larga calçada, já que nela haviam sido instalados fradinhos, mobiliário de aço usado como mecanismo para impedir que o local se transformasse em estacionamento. Optei por criar ali um ambiente urbano, e nele incluir algumas frases de autores do urbanismo sobre a ocupação da cidade. Como a obra de arte estava fora do edifício, para garantir sua permanência, foi necessário documentar junto à Secretaria de Municipal de Urbanismo e Serviços Públicos de Florianópolis (SUSP).

 

 

Durante o processo de instalação, fui abordada por um morador que exigia a retirada dos bancos que compõem a obra, sob a alegação de que facilitaria a reunião de pessoas indesejáveis. Esse encontro marcou a relevância política do trabalho desde sua instalação, levantando questões como: Devemos continuar negando a rua e criando “ilhas urbanas”, cidades dentro da cidade? Assim, Ambiente Urbano (2008) é uma obra que simboliza uma preocupação com a criação de ambientes urbanos mais lúdicos e mais humanizados e deflagra uma importante questão para a cidade contemporânea, que é a negação da rua.  Afinal, “de uma cidade não aproveitamos as suas sete ou setenta maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas” (CALVINO, 1990, p.44).

 

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Poesia na calçada

A cidade vista do alto, miniaturizada, é um texto urbano, uma imensa texturologia que se tem sob os olhos, como propõe Michel de Certeau, “um simulacro ‘teórico’ (ou seja, visual)” (CERTEAU, 2001:171).  Poesia na calçada é a primeira da série TEXTO URBANO.  Em 2007 vislumbrei a possibilidade de recortar a malha urbana em um fragmento, que isolado produziu uma imagem, reproduzi o fragmento da malha urbana de Florianópolis intercalado com uma frase poética de Rita De Cássia Alves: “Num canto, guardam os passos e aguardam todos os caminhos”

A poesia foi literalmente escrita em pedra portuguesa em uma calçada de 116 metros, na Rua Araci Vaz Callado, no Canto do Balneário do Estreito.

Maquete eletrônica Poesia na calçada

 

Rua Araci Vaz Callado, Balneário do Estreito – Florianópolis – SC- Brasil.

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Rua Araci Vaz Callado, Balneário do Estreito – Florianópolis – SC- Brasil.

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